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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Compensado de bambu pode ser usado em construções no Acre


Produto já foi testado e pode ser aplicado como forro e divisórias.
Pesquisa é desenvolvida pelo estudante da Ufac, Daniel Nascimento.

Caio FulgêncioDo G1 AC
Daniel Nascimento desenvolve o compensado de bambu para aplicação em forros e divisórias (Foto: Caio Fulgêncio/G1)Daniel Nascimento desenvolve o compensado de bambu para aplicação em forros e divisórias (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Prestes a se formar no curso de engenharia florestal da Universidade Federal do Acre (Ufac),  Daniel Nascimento, de 28 anos, começou, há 4 anos, a desenvolver uma pesquisa com a aplicação de bambu na produção de compensado. Os estudos foram feitos a partir do trabalho já desempenhado pela Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac), que analisa e mapeia as espécies dessa vegetação no estado há, pelo menos, seis anos.
O estudante explica que, para a produção do compensado, o bambu é cortado em ripas, colado e prensado. Quando iniciou os estudos, a tentativa foi utilizar esse produto na construção de piso, mas não alcançou o resultado esperado. Somente com o aprimoramento, em 2012, foi verificado que em divisórias internas o compensado poderia funcionar de forma mais satisfatória, após análises de como o material se comportaria no ambiente.
“Eu primeiro desenvolvi um projeto junto ao laboratório da Funtac para ver se seria viável a utilização do bambu em piso, mas o resultado não foi como o esperado. Fomos evoluindo os estudos e veio a sugestão de utilizar na condição de forros e divisórias”, lembra.
Para a fabricação do compensado, bambu é prensado ao menos duas vezes (Foto: Caio Fulgêncio/G1)Para a fabricação do compensado, bambu é prensado ao menos duas vezes (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
Inicialmente, foi utilizada na pesquisa uma espécie de bambu gigante, mas depois optou-se pela taboca, devido à predominância no estado. Segundo Daniel, em praticamente todo o Acre a planta pode ser encontrada. Além disso, é considerada um problema para os produtores rurais.
“A taboca é, realmente, o que se encontra mais abrangente em praticamente todas as localidades do estado, inclusive, no Peru e na Bolívia. Então, pensamos em usar algo que temos em abundância. E, para o produtor da zona rural, a taboca é uma praga, porque toma a área de pastagem”, explica o estudante.
Como resultado dos primeiros anos de pesquisa, Daniel desenvolveu o projeto de monografia, cuja apresentação deve ser feita ainda este ano. “O projeto é da Funtac, mas eu resolvi trabalhar e melhorar o estudo dentro do meu projeto de monografia e, a partir disso, vamos melhorar esse produto. O resultado inicial foi bem satisfatório, por se tratar de uma matéria-prima que, até então, não tinha esse aproveitamento. O bambu ainda é utilizado de forma artesanal aqui”, acrescenta.
De acordo com Daniel, bambu é cortado em ripas, colado e prensado (Foto: Caio Fulgêncio/G1)De acordo com Daniel, bambu é cortado em ripas, colado e prensado (Foto: Caio Fulgêncio/G1)
‘Ambientalmente sustentável’
A pesquisa de Daniel Nascimento, estagiário da Funtac desde 2008, é feita sob a supervisão e orientação do tecnólogo em construção civil, Dixon Gomes. Ele explica que as vantagens ambientais do bambu são notórias, devido à possibilidade de plantação de grande quantidade em uma determinada extensão de terra, com uma renovação de, aproximadamente, um ano. O poder de sequestro de carbono também é maior.
Orientador da pesquisa, o tecnólogo Dixon Gomes diz que estudos ainda estão no início (Foto: Caio Fulgêncio/G1)Orientador da pesquisa, o tecnólogo Dixon Gomes diz
que estudos ainda estão no início
(Foto: Caio Fulgêncio/G1)
“O bambu é um material que tem um poder de renovação maior que a própria madeira. Tanto que no manejo florestal da madeira são necessários 25 anos para voltar a fazer uma extração, e com o bambu pode ser feita a cada ano. É possível tirar até 80 m³ em um hectare, enquanto a madeira, no máximo, 20 m³. Ou seja, quatro vezes mais poder de captação de material lenhoso para a fabricação de diversos produtos”, fala.
No entanto, Gomes afirma que a transformação do bambu em compensado ainda teria um valor elevado no comércio, uma vez que não existe no país nenhuma fábrica especializada. Ele acredita que, à medida que for despertado o interesse da iniciativa privada, o barateamento será alcançado. É o que ainda falta, segundo Dixon.
“Falta o empreendedor nessa área, que é o que estamos buscando para o estado. O bambu tem uma resposta rápida, tanto é ambientalmente sustentável quanto economicamente. Uma empresa pode aplicar esse material numa determinada área e sempre vai ter disponível. Mas tem que estar preocupado com replantio ou o plantio da mesma espécie”, diz.
Primeiros passos
Apesar dos bons resultados, Gomes acredita que esses são apenas os primeiros passos. Ele diz que ainda existe muito trabalho a ser feito, principalmente em relação à identificação do perfil do bambu existente no estado.
“Até hoje, não identificamos cientificamente todas as espécies. Com parceria da Embrapa e da Ufac, agora que as estamos caminhando para termos um perfil do bambu do Acre. Estamos fazendo um levantamento para identificar as manchas de bambu, para que possamos retirar as mostras e pesquisar a espécie”, explica.
A realização desse levantamento é fundamental, de acordo com o tecnólogo, para atrair possíveis empresas que queiram fazer investimentos nas pesquisas e na produção do compensado de bambu, bem como na produção de outros utensílios.
“É uma espécie de zoneamento econômico para que, caso alguém queira fazer um investimento, possa ter essa resposta em termos de volume e intensidade. Sem isso não tem como ser feito um empreendimento. Quando a gente chegar na realidade de que o bambu vai estar substituindo a madeira, o Acre vai ficar em evidência, mas a gente que tem ir com calma, para não queimar etapas”, finaliza.

Fonte:http://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2014/09/compensado-de-bambu-pode-ser-usado-em-construcoes-no-acre.html

terça-feira, 21 de abril de 2015

Madeirite para Construção

Madeirite para Construção


O Madeirite é uma chapa muito utilizada em construção civil, também conhecido como compensado, e há quatro tipos com finalidade diferentes. O madeirite resinado é o mais utilizado e de menor custo, no geral, na construção residencial. O madeirite fenólico tem uso em construções de prédios, e indústrias pela maior resistência, sendo requisitado pela quantidade que oferece com uso.

madeirite plastificado normalmente tem uso para fazer concreto aparente e trabalhos que exigem resistência à água. O madeirite é vendido em chapas de 110 cm x 220 cm. As espessuras variam em 6 mm, 10 mm, 12 mm, 14 mm, 18 mm, e 20 mm.


Tipos de Madeirite
Madeirite Resinado

Trata-se de chapas compostas por um número ímpar de camadas superpostas, prensadas através da cola branca, com disposição de modo que as próprias fibras se cruzem. É bastante utilizado para produzir formas de muitos tipos, fazer barracas e canteiros de obra. Na realidade é bastante ampla a utilização em muitas etapas de construção civil.
Madeirite Resinado


Madeirite Fenólico

Estas são as chapas compostas por um número ímpar de camadas superpostas, prensadas através da cola preta, com disposição de modo que as fibras se cruzem. Há bastante uso para fazer formas de muitos tipos, construções pesadas e palcos.














Madeirite Plastificado

Assim como o Fenólico as chapas são constituídas por um número ímpar de camadas superpostas, prensadas com uso de cola preta, com disposição de forma que as fibras se cruzem, e com uma película, denominada filme, para que permaneçam com acabamento aparente, suportando mais a umidade.
Madeirite Plastificado



Em relação a este tipo, há bastante uso do madeirite
plastificado para produzir formas de muitos tipos para concreto aparente, e piso de carroceria de caminhão, entre outros.

Chapa OSB

Esta chapa é composta por 3 camadas com tiras de madeira prensadas usando resina de MUPF (melanina, resina fenólica, uréia, formol). São alinhados em escamas, segundo EN300 OSB, que é Norma Européia.
O termo inglês OSB é associado à Oriented Strand Board. É recomendado para montagem de canteiro de obras, pisos, tapumes de obras e forros. OSB é produzido de madeira reflorestada de desenvolvimento rápido, como eucalipto. Vale observar que de acordo com a bitola que é a grossura das chapas, é mudada a montagem dos miolos.
Chapa OSB





















E todos os madeirites têm aplicação mais de uma vez, porém o que vai influenciar no rendimento deste produto serão o manuseio e cuidados, sendo exemplo evitar guardar em locais que possam tomar chuva ou sol de forma direta. E ainda tirar com alerta os pregos no momento de desfazer as formas, entre outros fatores.

Preço de Madeirite

Os preços partem de R$10 para chapas finas até R$200,00 a unidade da chapa dependendo da espessura e material usado. O valor médio da chapa fica entre R$25 a R$60,00 e varia de acordo com a região do Brasil.

Por mauricio em 13/03/15@mauriciozane em 13/03/15

Fonte:http://www.arquidicas.com.br/madeirite-para-construcao/

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Madeirite e painéis de madeira

A indústria brasileira de painéis de madeira

O cenário atual do setor florestal brasileiro demonstra os reflexos da exploração predatória
das florestas naturais causadas, principalmente, pela expansão da fronteira agropecuária,
 pelas atividades de mineração, e pela produção de carvão vegetal a partir do cerrado, notadamente,
 em Minas Gerais e estados do Centro-Oeste. A falta de uma política de monitoramento
da exploração, via manejo sustentado, também contribuiu para agravar a situação.

O exemplo maior deste fato é a atual demanda de madeira serrada de eucalipto no mercado,
 em substituição às madeiras consideradas nobres, advindas da mata atlântica e floresta amazônica.

Os altos preços dos fretes, assim como a dificuldade de retirada e transporte durante as estações
 chuvosas, na região amazônica, em muito tem contribuído para aumentar a competitividade
 das madeiras provenientes de reflorestamentos. As pressões ecológicas, exercidas por instituições
de todo o mundo, impondo restrições inclusive ao comércio internacional de madeiras oriundas
 da exploração de florestas nativas, fazem com que cada vez mais se pense em utilizar florestas
plantadas para suprir o mercado.

As florestas de eucalipto implantadas no Brasil, é sempre bom lembrar, visavam,
até a pouco tempo, atender principalmente a indústria siderúrgica (carvão vegetal)
 e a de papel e celulose. Vale ressaltar que, existem vários problemas na utilização
desta floresta na produção madeira serrada, pois as características selecionadas
das árvores visavam maximizar a produção de carvão vegetal e de papel e celulose.

Em decorrência deste fato, nota-se uma movimentação das empresas florestais, instituições
 de pesquisa e Universidades especializadas no ramo, na procura de meios de viabilização
da utilização destas florestas, assim como na redução das perdas no processamento.
 Por conseguinte, planejar e implantar florestas, com características desejáveis para produção
de madeira serrada, é um desafio para o futuro.

Os novos produtos de madeira serrada certamente, estarão na utilização do já
consagrado gênero Pinus e, atualmente, do eucalipto, além de outras madeiras
de rápido crescimento com potencial para utilização na forma serrada.

Esta estratégia econômica também pode ser considerada como ecológica,
 pois reduz a pressão sobre as florestas nativas, uma vez que as madeiras de rápido
crescimento proporcionam ciclos de corte em períodos de tempo bem menores,
 além de produzir madeira com características homogêneas, o que aumenta o rendimento
 durante o processamento.

Dentro deste contexto econômico-ecológico, torna-se oportuno ressaltar a importância
da utilização de produtos madeira reconstituída pelas indústrias moveleiras e de
construção civil. As vantagens em utilizar este tipo de material, em relação a
madeira sólida, são muitas e residem, principalmente, nos aspectos de rendimento
em relação ao volume das toras, diminuição da anisotropia, utilização de madeiras
de reflorestamento de rápido crescimento, e madeiras de densidade baixa a média
 que, na confecção do painel, confere rigidez suficiente para aplicação estrutural.

Além das vantagens já citadas, outras devem ser consideradas, por exemplo:

- O aproveitamento da madeira na conversão das toras se aproxima de 100%;

- Dependendo do uso final do painel, pode ser acrescentado pequenas quantidades
de resíduos da indústria madeireira e agro-industrial;

- Podem ser produzidos painéis em grandes dimensões, em que o fator limitador
consiste nas dimensões das prensas e não das árvores;

- Menor variação dimensional em relação a madeira maciça;

- Apesar de não possuir bom comportamento na fixação de pregos e outros conectores,
e não poderem ser torneados, já existe no mercado produtos desenvolvidos justamente
 para suprir estas deficiências;

- Estrutura do painel com distribuição uniforme do coeficiente de resistência;

- Devido a disposição aleatória das partículas, minimiza o fator anisotrópico
que a madeira maciça possui;

- Se necessário, as peças podem ser moldadas para determinados usos;

- São mais fáceis de serem impregnados com produtos repelentes a agentes xilófagos,
umidade e retardantes de fogo.

O primeiro painel produzido industrialmente no mundo foi um compensado, fato ocorrido no início
 do século XX nos Estados Unidos da América. Desde então, houve um grande processo
de desenvolvimento que pode ser dividido em três períodos:

1. O primeiro período, ocorrido entre 1905 e 1935, caracterizou-se pelo desenvolvimento
de tecnologia básica, em termos de projetos de fabricação de equipamentos
para linha de produção, difusão e ampliação de mercado deste novo produto denominado
 de painéis compensados de madeira;

2. segundo período, ocorrido entre 1936 e 1955, caracterizou-se por consolidar as indústrias
 de compensados como importante segmento da indústria madeireira, com desenvolvimento
 de sistemas de prensagem mais avançados e produção de resinas sintéticas
(fenol-formaldeído, uréia-formaldeído) para colagem dos painéis. A década de 50
 foi marcada pela vasta produção e utilização de compensados;

3. O terceiro período, ocorrido entre 1956 e 1980, por sua vez, foi marcado
 pelas inovações tecnológicas, com aperfeiçoamento em termos de materiais
(resinas, extensores e catalisadores), e desenvolvimento de secadores mais eficientes,
assim como de prensas automáticas de múltiplas aberturas, contribuindo para aumentar
 a produtividade, melhorar a qualidade do produto e reduzir os custos de produção.

As chapas de partículas de madeira aglomerada, por sua vez, surgiram na Alemanha,
 no início da década de 40, como forma de viabilizar a utilização de resíduos de
madeira, face a dificuldade de obtenção de madeiras de boa qualidade para produção
de lâminas para compensados, devido ao isolamento do país durante a 2a Guerra Mundial.

A produção foi paralisada logo a seguir, devido a redução na disponibilidade de resina,
 tendo em vista a prioridade de uso de petróleo para finalidade militar. Ao fim da guerra,
em 1946, o processo de desenvolvimento foi retomado nos Estados Unidos, com
 aperfeiçoamentos de equipamentos e processos produtivos. A partir da década de 60,
 houve grande expansão em termos de instalações industriais e avanços
tecnológicos, que culminaram no desenvolvimento de chapas estruturais tipo Waferboard
 e OSB em meados da década de 70, atualmente difundidos pelo mundo.

O desenvolvimento da tecnologia de produção de compensados, chapas de fibras e
de partículas passou pela cronologia a seguir

1858 - Lyman (EUA), desenvolveu a primeira patente em chapas de fibras;

1866 - Fleury (EUA), desenvolveu a patente para fabricação de chapas
 de fibras isolantes pelo processo úmido;

1880 - desenvolvimento da tecnologia de produção de chapas duras/isolantes pelo processo úmido;

1913 - início da produção de compensado no mundo;

1914 - instalação da 1a fábrica de chapas isolantes baseado na tecnologia de produção de papelão;

1930 - instalação da 1a fábrica de chapas duras com a utilização de toretes de madeira;

1931 - desenvolvimento do equipamento desfibrador "Asplund" na Suécia, através
 do método contínuo de desfibramento a alta temperatura e pressão;

1932 - instalação da 1a fábrica de chapas de fibra na Alemanha;

1940 - início da produção de compensado no Brasil;

1943 - desenvolvimento do sistema de formação do colchão por método pneumático (ar),
que foi a idéia básica para o desenvolvimento do processo seco e semi-seco;

1951 - início da produção de chapas duras pelo processo semi-seco;

1952 - desenvolvimento de planta piloto para chapas duras pelo processo seco;

1955 - início de produção de chapas de fibra no Brasil;

1966 - início de produção de chapas de madeira aglomerada no Brasil;

1970 - início da produção de chapas de fibras de média densidade (MDF);

1975 - início de produção de Waferboard e OSB no mundo;

1997 - início de produção de MDF no Brasil;

2002 - início de produção de OSB no Brasil.

A defasagem do Brasil em relação aos principais países produtores de chapas de
 madeira reconstituída é considerável e precisa ser reduzido, a fim de que se|
 atinja, a médio e longo prazos, uma igualdade técnica e competitiva com
 estes países, o que é plenamente viável. É neste sentido que a previsão
para o início deste milênio de mudança do perfil da produção brasileira
de painéis, caminha cada vez mais para uma realidade bem próxima com a
 entrada dos painéis MDF e OSB.

INDÚSTRIA DE COMPENSADO

O parque nacional voltado à produção de compensado conta 300 unidades industriais.
A capacidade instalada representada por estas unidades é de aproximadamente
 2,2 milhões de m3/ano, sendo que as 40 maiores indústrias respondem por
 pouco mais de 60% desta capacidade instalada.

A indústria brasileira de compensado é bastante fragmentada, predominando empresas
 de pequeno porte com estrutura de produção tipicamente familiar.
Estimativas da ABIMCI (Associação Brasileira de Madeira Processada Mecanicamente),
indicam que 60% do compensado brasileiro é produzido com madeira tropical, enquanto
 que os outros 40% são produzidos a partir de madeira proveniente de florestas plantadas
nas regiões Sul e Sudeste, particularmente o Pinus. Cabe salientar que inclui-se como
 compensado tropical o tipo "combi" (face em madeira tropical e miolo em madeira de Pinus).

Os inexpressivos investimentos tecnológicos realizados recentemente nas unidades produtoras
de compensado, bem como a deficitária estrutura de produção e os elevados custos
com matéria-prima (nativas da região Norte), caracterizam-se como fatores limitantes

ao desenvolvimento desta atividade no Brasil.

A taxa média de crescimento da produção de compensado no período 1990-2000
foi de 6,4% ao ano, e após um período de relativa estagnação, a produção apresentou
um significativo incremento na primeira metade da década de 90.

Observa-se que, para o período entre 1990 e 2000, o consumo interno de compensados

cresceu cerca de 3,3%.

No período entre 1990 e 2000, o crescimento das exportações de compensado foi de 12,8%
 ao ano, acumulando um crescimento total de 233%. Expressivos volumes foram exportados
entre 1993 e 1995, em virtude das condições bastante favoráveis e atrativas no mercado internacional .

Ao longo dos últimos 10 anos, os principais países importadores do compensado brasileiro
foram os EUA, o Reino Unido, Porto Rico e Alemanha.

Historicamente as importações de compensado realizadas pelo Brasil são insignificantes.
 Os volumes envolvidos nestas transações não ultrapassam a 500 m3 anuais

Os incentivos vigentes têm levado a um incremento substancial na área reflorestada
 destes países, além de atrair investidores internacionais.

Acredita-se que em médio prazo a indústria de base florestal, particularmente na Argentina
 e no Uruguai, deverá se desenvolver com extrema competência alavancada pelos incentivos

 atualmente existentes.

Estes aspectos devem ser considerados no âmbito do acordo do MERCOSUL, buscando
igualdade de competição a todos os seus integrantes. Afinal este é o princípio
de mercados sem fronteiras.

Quanto ao setor privado, o mesmo deve estar preparado para vencer os desafios
impostos pela globalização (competitividade), haja vista as perspectivas de crescimento
 da atividade industrial-madeireira tanto a nível nacional como internacional, almejando
 o desenvolvimento econômico e social tanto do Brasil como do MERCOSUL.

CHAPAS DE FIBRA E DE PARTÍCULAS

O setor de painéis de madeira industrializada ampliou a sua representatividade, transformando
 a ABIMA - Associação Brasileira da Indústria de Madeira Aglomerada, criada em dezembro
 de 1967, na ABIPA - Associação Brasileira da Indústria de Painéis de Madeira, a ela integrando
 as indústrias produtoras de chapas duras.

A ABIPA congrega as maiores indústrias produtoras de painéis de madeira industrializada,
 instaladas no território nacional, utilizando como fontes de matéria-prima, recursos naturais
renováveis como o pinus e o eucalipto, atuando em diversos segmentos, como fornecedora
 de matéria-prima para indústrias moveleira, de construção civil, de embalagem, automobilística
e eletro-eletrônica.

A indústria brasileira de painéis de madeira industrializada, sempre atenta a qualidade,
 tem como objetivo a utilização de recursos naturais renováveis, preservando, desta forma,
 o meio ambiente, a flora e a fauna das regiões onde atua.

As áreas de reflorestamento, estão distribuídas nos Estados do Paraná, São Paulo,
 Minas Gerais e Rio Grande do Sul.O Pinus e o Eucalyptus são os gêneros plantados,
 cultivados e utilizados para abastecer de matéria-prima a indústria brasileira de painéis.

Existe uma tendência no crescimento de produção e de consumo interno. Isto se deve
 principalmente ao aumento na produção de aglomerados e MDF, uma vez que as chapas
de fibras duras e isolantes se mantêm estáveis. Além disso, a importação revelou-se
crescente até 1997, sendo influenciada, principalmente, pela importação das chapas
 MDF, visando a estratégia de difusão do produto no mercado brasileiro. Contudo,
a partir de 1998, esta importação reduziu-se significativamente, em virtude da
entrada em operação da fábrica da Duratex em Agudos, SP, iniciando a produção
 nacional de MDF. Atualmente, encontra-se também em operação, a indústria de chapas
 MDF da Tafisa em Piên, além da unidade da Masisa em Ponta Grossa, e Placas do
 Paraná Quanto à exportação, verifica-se um ligeiro declínio, que provavelmente
está relacionado com o aumento significativo do consumo interno. Com a entrada
em operação de novas unidades industriais, além dos projetos de ampliações das já existentes,
 praticamente irá garantir o abastecimento interno no futuro, além de possibilitar o
crescimento das exportações.

- As crescentes restrições ambientais ao uso de madeira de folhosas nativas e,
principalmente, o elevado custo do transporte para os centros consumidores,
 favorece a produção de serrados de Eucalyptus, o qual certamente apresentará
 taxas de crescimento superiores a média de outras espécies de folhosas.
O Eucalyptus deverá ter uma penetração via substituição de nativas e
possivelmente cobrirá a possível limitação no suprimento da madeira de Pinus.

- A implantação de novos empreendimentos de maior porte e mais eficientes,
 com a produção centrada em florestas plantadas (Pinus e Eucalyptus), deverá reduzir
a demanda por madeira tropical.

- Para o compensado, as florestas tropicais representam um grande potencial. No entanto,
 a conversão dos recursos disponíveis em bens, dependerá de uma política apropriada de desenvolvimento,
 particularmente para a região Amazônica.

- Além das florestas tropicais, os desenvolvimentos recentes
 preconizando a utilização
do Eucalyptus oriundo de florestas plantadas, têm mostrado
 boas perspectivas como alternativa
às madeiras tropicais na produção serrados, compensados,
PMVA e ainda, painéis estruturais, a
exemplo do LVL e as vigas laminadas.

- O crescimento dos painéis reconstituídos no Brasil,
representado a curto prazo pelo aglomerado
 , MDF e pelo OSB, mudará o perfil de consumo no Brasil;

- Projeta-se uma perda de participação relativa de compensado e
 da chapa dura de
 fibra no mercado nacional, resultante de uma penetração
dos novos painéis reconstituídos (MDF, OSB etc..);

- Com o início da produção do OSB, a perspectiva fica em torno
da início da produção
de painéis de madeira-cimento em escala industrial;

- O incremento no uso da madeira, para produção de produtos
 reconstituídos, é uma t
endência evolutiva e irreversível. Além disso, o Brasil apresenta
excelentes condições, à curto prazo, para a produção
 de painéis estruturais de madeira reconstituída, devido à experiência
com os recursos silviculturais de eucalipto e pinus,
 atualmente implantados em larga escala. Entretanto, as condições
climáticas propiciam uma curta rotação, reduzindo
 significativamente os custos, se comparado com os países de 1o mundo;

- O estudo de espécies exóticas e nativas de rápido crescimento,
com potencial para
 fornecimento de madeira em larga escala, deve ser intensificado,
 buscando uma maior
 variabilidade de matéria-prima, assim como reduzir a dependência de
 apenas dois
 gêneros (Pinus e Eucaliptus);

- A oferta futura de madeira maciça possui uma tendência declinante.
Portanto, é de suma importância o desenvolvimento de esforços a
 fim de evoluir a oferta em variedade e
quantidade de produtos reconstituídos, objetivando o aproveitamento
 máximo da madeira, a exemplo do fineboard, que é um
produto reconstituído a partir do pó da madeira
Fonte:http://www.remade.com.br/br/revistadamadeira_materia.php?num=331&subject=Mercado&title=A%20ind%FAstria%20brasileira
%20de%20pain%E9is%20de%20madeira

domingo, 22 de março de 2015

MADEIRA: Indústria brasileira de compensado começa a se recuperar

MADEIRA: Indústria brasileira de compensado começa a se recuperar

Depois de cinco anos consecutivos com números negativos na exportação do compensado de pinus, a indústria começa a se recuperar. Em 2013, o segmento registrou um crescimento de 24% em relação ao ano anterior. O principal mercado foi a Europa (71,1%), seguido da América do Norte (13,1%). A Alemanha se destaca com 21,31% do valor total das exportações brasileiras do produto. Até a crise de 2008, os Estados Unidos era o principal comprador desse produto fortemente usado na construção civil americana. No ano passado, esse mercado ficou com apenas 8,64%.

De acordo com o superintendente executivo da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), Paulo Roberto Pupo, os bons resultados desse segmento são reflexo de um esforço conjunto dos industriais que conseguiram recuperar parte do mercado perdido com a crise de 2008, melhorando suas estratégias comerciais com a correta leitura desse mercado. “Certamente o câmbio ajudou na recuperação, mas ainda é preciso melhorar alguns cenários, como garantir a estabilização da demanda atual e uma melhora nos preços internacionais ”, avalia.
O ano de 2013 fechou com 1.164 milhões de m³ exportados, que de acordo com o recente Estudo Setorial lançado pela Abimci, representa aproximadamente 50% da produção nacional de compensados. Para se ter uma ideia do potencial de crescimento, em 2007, ano anterior à crise, o Brasil exportou 1.536 milhões de m³. “De 2007 a 2012, o Brasil perdeu 36% do volume exportado e agora, com os volumes mais positivos comercializados em 2013, o cenário se torna um pouco mais atraente”, avalia Pupo.
Na avaliação de alguns empresários, no entanto, apesar da ligeira recuperação, o momento é de alerta. A alta do dólar teria compensado algumas perdas, mas todos são unânimes em afirmar que ainda é preciso melhorar o preço internacional. Além disso, fatores internos têm afetado a produtividade como inflação da matéria-prima e da mão de obra e gargalos logísticos, que impactam diretamente nos custos da produção.
Para Pupo, esses fatores têm prejudicado toda a indústria. “Enfrentamos ainda, em alguns Estados como o Paraná, principal produtor do compensando de pinus, um alto preço dos pedágios e nos valores cobrados para movimentação de contêineres no Porto de Paranaguá, além dos índices de reajuste aplicados ao salário mínimo regional superiores ao de outras regiões do País”, explica.
Segundo os industriais, sem perspectivas de aumento de consumo por parte dos Estados Unidos, 2014 será um ano de cautela nos negócios.
Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente
FONTE:http://www.remade.com.br/br/noticia.php?num=12161&title=Ind%FAstria%20brasileira%20de%20compensado%20come%E7a%20a%20se%20recuperar

sábado, 7 de março de 2015

Lâminas para Compensados e Madeirite

A INDÚSTRIA DE LÂMINAS E COMPENSADOS DE MADEIRA NO ESTADO DO AMAZONAS:

 um cenário do processo produtivo e tendências para o próximo milênio Sérgio Luiz Ferreira Gonçalves Fundação Universidade do Amazonas - Depto de Ciências Florestais Av. Gen. Rodrigo Octávio Jordão Ramos, 3000 - CEP. 69.077-000 - Aleixo - Manaus-AM Alcir Ribeiro Carneiro de Almeida Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Depto de Eng. de Produção Av. Prof. Almeida Prado, 123 - trav. 2 - CEP 05.508-900 - São Paulo - SP Abstract The industry of plywood and veneer of the State of Amazonas, specifically the system of industrial production and the evaluation of its perspectives in Brazil, was evaluated in this work. The data were generated with interviews and applications of a questionnaire to the companies leaders. Additional data were obtained from public institutions which monitoring that segment in Brazil. The data were analysed with the companies grouped according with its month production. It was evaluated the situation of the industry based on raw material; production of veneer and plywood; labour; machines, equipment and its perspectives in the Amazonas State. Key words: production system, veneer, plywood. 1. INTRODUÇÃO Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Madeira - ABPM (1994), o Setor Florestal no Brasil gerou receitas na ordem de 15 bilhões de dólares, contribuindo para a formação do PIB em mais de 3,9%. A oferta de emprego direto e indireto representou 3,5% da população economicamente ativa do meio rural (1,2 milhões de empregos) e consumiu algo em torno de 260 milhões de m 3 de madeira roliça, dos quais, 200 milhões de m 3 foram provenientes de florestas nativas e 60 milhões de m 3 de florestas plantadas, representando 6 milhões de hectares de reflorestamentos, com uma reposição de 250 mil hectares feitos pela iniciativa privada. O País conta com dois principais pólos florestais. De um lado a região Norte, cujo potencial advém de florestas nativas em torno de 315 milhões de hectares, algo perto de 43,4 bilhões de m 3 , porém devido a problemas ambientais e de acesso, reduz-se a aproximadamente 12,6 bilhões de m 3 comerciais. Do outro lado a região Sul/Sudeste, onde o maior percentual advém de florestas plantadas, responsável por uma oferta da madeira roliça na ordem de 36 milhões de m 3 (ABPM, 1994). No segmento de compensados de um modo geral, existem poucos trabalhos que caracterizam em termos socio-econômicos a sua produção. A madeira compensada, é um material a base de painéis de lâminas de madeira, consistindo de um número ímpar de camadas de lâminas com grã adjacentes em ângulos retos, que são submetidas a um processo de colagem e prensagem com adesivos resistentes ou a prova d’ água. As lâminas da superfície são chamadas de capas, e qualquer lâmina interior com grã perpendicular a direção das capas são chamadas de miolos. Tornou-se uma das formas mais tradicionais deutilização da madeira, apresentando múltiplas aplicações: construção civil, móveis, formas para concreto, embalagens, transporte, aplicações agrícolas, etc... O Sul do País responde por 60% da capacidade nominal produtiva de compensados, apesar de um crescimento progressivo na região Norte onde, em 1996, respondiam por cerca de 29% da produção nacional. Neste contexto, esta região, projeta-se como o mais expressivo centro industrial produtor em espécies tropicais, enquanto que a região Sul deverá permanecer, nesse segmento, com o processamento de madeiras provenientes de florestas plantadas. Já quanto ao produto lâminas, as unidades produtoras em sua maioria estão situadas no Norte do País, em virtude da disponibilidade de recursos florestais. Atualmente a produção nacional está estimada em 500 mil m 3 anuais, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Compensada e Industrializada - (ABIMCI, 1994), e destina-se a indústria de painéis de âmbito nacional e estrangeiro. No Estado do Amazonas, pequena importância vinha sendo dada às pesquisas relacionadas à atividade da indústria madeireira. No entanto, tem-se conhecimento que a partir de 1979, alguns trabalhos dentro do enfoque industrial, econômico e mercadológico começaram a ser realizados, como: SAMANEZ (1980), PEIXOTO & IWAKIRI (1984), SANTOS (1986) e HUMMEL et al (1994). Particularmente no sub-setor madeireiro, as empresas do segmento de laminados e compensados situam-se como as maiores geradoras de receita, representando 23% da produção total exportada pela Amazônia, algo em torno de 37 milhões de dólares (AIMEX 1995). 2. SISTEMA DE PRODUÇÃO DE LÂMINAS E COMPENSADOS 2.1 Lâminas No campo industrial, poucos trabalhos relatam técnica e economicamente a produção de lâminas, onde verifica-se que grande parte destas são coligadas à empresas de compensados, principalmente no Estado do Amazonas. Dos insumos utilizados na fabricação do compensado, é a madeira que tem o maior peso na composição dos custos industriais, contribuindo com aproximadamente 50% dos custos totais. Antes do processo de obtenção das lâminas é feito o descascamento e a retirada de arestas até a obtenção da forma cilíndrica da tora. A laminação da madeira pode ser obtida através de duas formas comerciais: a) Lâminas torneadas - obtidas a partir do “desenrolamento” de toras grossas, relativamente curtas, utilizando um torno laminador no qual se faz girar contra o gume de uma longa faca, se formando uma superfície contínua de lâminas. b) Lâminas faqueadas - obtidas à partir de cortes planos feitos por uma faqueadeira em peça de madeira não roliça (pranchão) obtendo-se folhas de lâminas decorativas que são usadas como capas na indústria de painéis. Nas operações de laminação, secagem e colagem, processo este para obtenção de compensados, um fator com grande influência é a permeabilidade. Uma madeira de boa permeabilidade pode diminuir o problema de eliminação de água durante a laminação, facilitar a secagem, e melhorar as condições de colagem devido a eliminação do vapor d'água desprendido durante a cura da cola (LUTZ, 1958). A produção industrial de lâminas de alta qualidade exige as seguintes condições básicas: espécies adequadas, tornos sem vibração, geometria correta para laminação em faqueadeiras e substituição das facas em tempo certo. As características mais importantes para definir a qualidade das lâminas normalmente são: uniformidade de espessura; rugosidade de superfície; fendas de laminação; deformações; cor; e, desenho.As lâminas de madeira, são adquiridas de inúmeras fábricas de pequeno porte localizadas nem sempre próximas dos centros de consumo. Estima-se que 60 à 70% das lâminas adquiridas para suprir as indústrias de todo o País são provenientes da Região Norte do Brasil (ABIMCI,1995). Merece destaque a assertiva de que 85% da matéria-prima provêm de florestas nativas (TABELA 1), isto revela a precária situação quanto a reposição florestal e significa que parte da matéria-prima bruta ofertada para a indústria de lâminas e compensados não é proveniente de áreas com planos de manejo aprovados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis -IBAMA. .TIPOLOGIA FLORESTAL PARTICIPAÇÃO (%) REFLORESTAMENTO 15 NATIVA 85 TOTAL 100 TABELA 1 - ORIGEM DA MATÉRIA PRIMA PARA A INDÚSTRIA DE MADEIRA COMPENSADA FONTE: ABIMCI, 1995 (adaptação do autor). 2.2 Compensados A fabricação do compensado é mais complexa se comparada ao beneficiamento da madeira serrada. As fases do processo produtivo são mostrados sucintamente na FIGURA 1, e como descrição geral, ocorrem da seguinte maneira: a) a árvore é derrubada na floresta , transformando-a em toras; b) na indústria as toras são transformadas em lâminas através de um torno laminador e/ou faqueador, posteriormente são recortadas em tamanhos padronizados através da guilhotina; c) as lâminas passam pelo secador, objetivando a redução da umidade para no máximo 8%, posteriormente são transportadas para uma esquadrejadeira visando os recortes finais; d) as lâminas são sobrepostas uma às outras e impregnadas com cola, mais extensor de origem mineral ou vegetal (fenol-uréia-formoltanino) para a formação do compensado; e) transportadas para a prensa à quente por um determinado período de tempo para fixação das lâminas sobrepostas; f) transferida para a lixadeira visando a equalização da superfície do compensado; g) e finalizando pelo processo de revestimento em função da utilização. ÁRVORE LÂMINAS COMPENSADO C O N V E R S Ã O P R I M Á R I A M Ã O D E O B R A I N T E N S I V A C O N V E R S Ã O S E C U N D Á R I A F L U X O I N T E N S I V O TORNEADA FAQUEADA C A P I T A LFIGURA 1 - PROCESSO DE CONVERSÃO NA INDÚSTRIA DE COMPENSADOS FONTE: KEINERT JR.,1980 (adaptação do autor). Segundo a ABIMCI (1995), o cenário tecnológico do segmento há 3 anos atrás pode ser resumido conforme a TABELA 2, onde verifica-se uma situação em geral decadente e com necessidade de delinear ações visando a modernização da indústria, além de medidas que as aproximassem dos centros de pesquisa, na tentativa de compor um produto mais competitivo. VARIÁVEIS SITUAÇÃO • Investimento com pesquisa e desenvolvimento Reduzidos • Número de pesquisadores Poucos • Centro de pesquisa e desenvolvimento Carente • Importação tecnológica Dados desconhecidos • Normas técnicas Existentes e satisfatórios • Controle de qualidade Carente • Informação tecnológica Carente de divulgação e utilização TABELA 2 - AVALIAÇÃO TECNOLÓGICA DO SEGMENTO LAMINADOS E COMPENSADOS. FONTE : ABIMCI, 1995. Neste segmento industrial a mão-de-obra é um componente importante na produção, e sua intensidade é inversamente proporcional ao grau de mecanização. Em relação a capacitação da mão-de-obra nacional, o País não possui ainda uma estrutura de treinamento eficiente, necessitando de profissionais de nível técnico, médio e mesmo superior que atendam as necessidades particularidades deste segmento industrial. Quanto a situação atual do processo produtivo, a indústria nacional de máquinas e equipamentos que atende este segmento, tem se mostrado em parte satisfatória para algumas etapas primárias da produção industrial, porém existem ainda algumas deficiências quanto ao acabamento, comprometendo a produtividade e qualidade, além de resultar produtos de menor valor agregado. No Estado do Amazonas, somente na década de 70, face a redução dos estoques florestais no Centro-Sul e a política de incentivos para instalação de indústrias na Amazônia, adveio o segmento industrial de lâminas e compensados, situando-se hoje, como um segmento em crescimento no estado. Neste contexto verifica-se que a região norte concentra empresas de maior porte, aliado a disponibilidade de madeira nativa, sendo aquela que vem recebendo maior montante de capital estrangeiro.Tal fato tornou-se mais evidente a partir do 2º semestre de 1995, pois além de grupos americanos e alemães, alguns empresários asiáticos adquiriram plantas de empresas de capital nacional que estavam em situação financeira difícil, ingressando com investimentos expressivos na região. Logo, o Amazonas também está sendo colocado como alternativa viável, devido as seguintes vantagens comparativas: a) imensa área florestal disponível; b) preço relativamente baixo da terra; c) mão-de-obra barata; d) incentivos fiscais atraentes; e sobretudo e) esgotamento das reservas florestais de países, tradicionalmente, fornecedores de matéria-prima. 3. METODOLOGIA DO TRABALHO USO NA CONSTRUÇÃO CIVIL ESTRUTURAL INDÚSTRIA MOVELEIRA OUTROSVisando caracterizar a indústria deste segmento, foram coletadas informações diretamente nas empresas através de questionários e entrevistas, durante visitas efetuadas nas unidades de produção. A fonte de dados foi proveniente baseadas no cadastro do IBAMA-AM e Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA, onde todas as empresas foram visitadas. O questionário foi dividido em 08 itens principais, visando obter informações relativas a: dados gerais de produção de lâminas e compensados; insumos; máquinas e equipamentos; matéria prima; mão-de-obra; administração; produto final e informações gerais. As informações obtidas junto as empresas tem como referência os meses de setembro e outubro de 1996. Após os questionários terem sido preenchidos por representantes indicados pelas empresas, foi efetuado um levantamento complementar em várias instituições públicas visando obter informações que complementassem o estudo. Dentre elas: Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA ; Superintendência da Zona Franca de Manaus - SUFRAMA; Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia - SUDAM; Federação das Indústrias do Estado do Amazonas - FIEAM; Secretaria da Indústria e Comércio - SIC / AM; Junta Comercial do Estado do Amazonas - JUCEA; Imprensa Oficial; Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará e Amapá - AIMEX. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO O segmento laminados e compensados no Amazonas, é caracterizado independente do porte da empresa, por um baixo aproveitamento da matéria-prima (madeira em tora), concentrado em apenas três espécies madeireiras. O comportamento da indústria é caracterizado por uma baixa qualidade da matéria-prima como: rachaduras, tortuosidade, bifurcação e tora oca, associado as condições de armazenagem, secagem, estocagem ao longo do ano e nível técnico-administrativo. Os prejuízos provocados pelo ataque de insetos e fungos, são problemas encontrados principalmente, em madeiras brancas, que apresentam maior suscetibilidade ao ataque, quando expostas às condições ambientais por um período elevado entre a exploração e o transporte. Outro fator que contribui para o significativo de perdas, é a baixa tecnologia aplicada ao processamento de espécies de madeiras. Mesmo existindo critérios mais precisos e confiáveis na verificação do produto final, as empresas do Amazonas, embora utilizando algum tipo de controle de qualidade, aplicam predominantemente o método visual, onde são verificados a espessura, colagem e a superfície tanto da lâmina quanto do compensado. Neste sentido, verificou-se na linha de produção, após definidas as dimensões do produto, que existem três tipos de classificação em função de suas qualidades. Alguns insumos como cola, extensor, fio industrial, fita gomada, tinta e catalizador, segundo os gerentes das empresas visitadas, não são considerados problemas que afetem expressivamente a produção, diante deste fato não se abordou de forma mais detalhada estes insumos no decorrer deste trabalho.As empresas investigadas trabalham em regime de 2-3 turnos de 8 horas, onde os resíduos gerados são utilizados para fins energéticos, dentro da própria indústria, geralmente na secagem de lâminas. A produção de lâminas no Amazonas vem mantendo certa irregularidade nos últimos 5 anos.À partir de 1991, sua produção vinha crescendo, atingindo o maior nível no ano de 1993, com cerca de 75.707 m 3 , seguindo sucessivas diminuições onde em 1996 verificou-se uma queda acumulada de 39%. Na produção de compensados, a comercialização de chapas é classificada de acordo com suas espessuras, onde podem ser aplicados para fins decorativos, como molduras, em armários, pisos em geral, móveis e em estruturas entre outras utilizações. Sua produção no ano de 1996, foi de aproximadamente 92.800 m 3 , sendo por exemplo 28,8% e 25,5% superior ao ano de 1992 e 1995 respectivamente. Constatou-se uma certa descontinuidadeANO Produção ( x1000 m3 ) 30 40 50 60 70 80 90 100 90 91 92 93 94 95 96 lâminas compensados no nível de produção, representado por cerca de 50% da capacidade nominal instalada. No período de 90-96, a produção de compensados cresceu 16,6% aa, mesmo com a redução do número de unidades produtivas, o que permite inferir que este crescimento pode estar associado: a uma melhor produtividade, a um aumento da capacidade instalada, aos aumentos de preços dos produtos, a ampliação de mercados e a uma melhor gestão. Na FIGURA 2, evidencia-se a evolução da produção de lâminas e compensados no Amazonas. FIGURA 2 - EVOLUÇÃO DA PRODUÇÃO DE LÂMINAS E COMPENSADOS NO ESTADO DO AMAZONAS. FONTE: GONÇALVES, 1998. Para o ano de 1995, este segmento teve um faturamento bruto superior a R$ 46 milhões, e para o ano de 1996 estima-se uma queda para R$ 42 milhões, uma redução em 9% face a insolvência de pequenas empresas no entanto, estima-se novos investimentos de grupos emergentes que estão surgindo no Estado. No referente a mão-de-obra, o segmento laminados e compensados gerou em torno de 2.862 empregos diretos na indústria, dos quais 68,2 % no interior e apenas 31,8 % na capital. De um modo geral apresentam alto índice (45 homem-hora/m 3 ) de absorção de mão-de-obra, contra 36-110 homem-hora/m 3 na África; 20 -30 homem-hora/m 3 na Europa. Fator importante é a alta rotatividade de funcionários ao longo do ano, o turn over gira em torno de 53% em alguns meses, principalmente em classes onde a faixa salarial é de 2 salários mínimos. Este comportamento, baseando-se em entrevistas com alguns funcionários, é explicado pela insatisfação no emprego e pela perspectiva de maior remuneração em uma outra atividade. Quanto a questão do maquinário, até 1995, o valor imobilizado atingiu cerca de R$ 14,5 milhões. No entanto, nesta indústria, face a complexa quantificação da capacidade média e possíveis gargalos na produção, associados a falta de uma política de desenvolvimento para este segmento é difícil dimensionar com exatidão os investimentos para o futuro.5. CONCLUSÕES A partir do ano de 1997, existe a previsão de instalação de duas fábricas para a produção de madeira reconstituída, um substituto do compensado, o que deve agravar as perspectivas das chapas compensadas neste segmento. Hoje, sabe-se que o setor da construção civil é um dos grandes consumidores de compensados, mas vislumbra-se que a introdução de substitutos, pode mudar parcialmente este cenário, pois apresenta vantagens no processo industrial, gerando menores custos do produto final comparativamente aos altos índices de perdas na fabricação do compensado, promovido pelo obsoletismo dos equipamentos, pela qualidade da madeira utilizada e alta rotatividade da mão-de -obra, assim perdendo espaço no mercado mundial. Contudo, o dilema de definir as perspectivas para tornar a indústria de compensado mais competitiva, passa pelo avanço da informática e da eletrônica, além da implantação e acompanhamento de programas de qualidade, educação e treinamento da mão-de-obra e assim, contribuindo para um melhor desenvolvimento do parque produtivo do segmento laminado e compensado. Tal posição se confirma, devido as lâminas continuarem a ser exigidas em uma série de aplicações primárias, sejam pelas características de acabamento, pela resistência, dentre outras exigidas pelo consumidor, e que provavelmente redundará numa evolução tecnológica na composição da chapa compensada visando maior produtividade e utilização. Estima-se que a curto prazo, cerca de US$ 600 milhões serão investidos por parte de grupos externos, originários da China, Japão, Indonésia e Coréia, neste segmento no Amazonas, aumentando a produção à curto prazo em mais de 60%. Esses investimentos certamente exigirão uma melhor estrutura logística, além de mão-de-obra qualificada, assistência técnica, peças e energia mais acessíveis, que tradicionalmente são considerados problemas na região. Deve-se salientar que o questionamento mais importante junto a sociedade amazonense, refere-se ao nível de contribuição, tanto social como econômica, que será gerada efetivamente ao Estado, pois não se sabe ao certo em quanto será ampliada a capacidade nominal de produção no novo cenário industrial, e se de fato ocorrerá de forma real a geração de novos empregos diretos ou indiretos à população . 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABIMCI - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA INDÚSTRIA DE MADEIRA COMPENSADA E INDUSTRIALIZADA. Relatório 1995. 21 p. (não publicado) ABPM - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PRODUTORES DE MADEIRA. Relatório.1994. (não publicado) AIMEX - ASSOCIAÇÃO DAS INDÚSTRIAS EXPORTADORAS DE MADEIRA DO ESTADO DO PARÁ E AMAPÁ. Relatório estatístico. Belém, 1995. 11p. GONÇALVES, S.L.F. Análise da indústria do segmento laminados e compensados do estado do Amazonas, 1996. Curitiba, 1998. Dissertação (Mestrado em Economia e Política Florestal)- Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná. HUMMEL, A.C. et al. Diagnóstico do sub-setor madeireiro do estado do Amazonas .Manaus. SEBRAE. 1994. 74p. KEINERT JR, S. Madeira: alternativa para chapas de fibras. Brasil Madeira, IV (46): 18- 24, 1980. LUTZ, J.F. Wood veneer: log selection, cutting and drying. USDA. Technical Bulletin, 1957, 1958. PEIXOTO, R. C. D. & IWAIKIRI, S. - Dados e índice da indústria madeireira do estado do Amazonas. CPPF/INPA. Série Técnica. nº 4. Manaus-AM. 1984.SAMANEZ, R.M. Timber production and marketing in the brazilian amazon. Michigan, University of Michigan, 1980. Tese de doutorado. SANTOS, J. Situação das indústrias no município de Manaus (1981 e 1983) e serrarias no estado do Amazonas (1981). Situação da indústria madeireira. Curitiba, 1986. Dissertação (Mestrado em Manejo Florestal)- Setor de Ciências Agrárias, Universidade Federal do Paraná

domingo, 18 de agosto de 2013

Espécies alternativas de madeiras para a indústria moveleira





O Brasil é um país com grande potencial florestal. Mas, só mais recentemente tem se preocupado em utilizar seus recursos florestais de forma mais ordenada. Até então, a produção florestal tinha como sua principal origem as florestas nativas e pouco se fez para que o recurso fosse manejado de forma sustentável. Mesmo assim, o setor florestal apresenta números significativos dentro da economia brasileira. 

Fomentar a comercialização adequada de um número cada vez mais crescente de espécies e de produtos de madeira, incluindo atividades de melhoria da qualidade dos produtos comercializados, de controle de qualidade e de propaganda e marketing em geral, destacando-se o estudo e a promoção de espécies menos conhecidas nos mercados nacional e internacional, é tarefa decisória para o melhor aproveitamento dos recursos disponíveis na natureza.
 

Uma avaliação econômica considerando toda a cadeia produtiva, a partir da floresta, indicou que o aumento do número de espécies, com consequente aumento do volume retirado da floresta, reduz o custo de exploração e manejo, levando também a uma redução significativa nos investimentos em áreas florestais para implantação do manejo sustentado.
 

O uso sustentável e a valorização das florestas, como produtoras de bens e serviços ambientais, geradoras de emprego e renda, constituem a forma mais apropriada de promover a sua sustentabilidade e a proteção desse patrimônio. Seguindo a tendência de desenvolvimento sustentável, preservação e uso racional dos recursos naturais, o mercado de madeira para usos interiores, principalmente o moveleiro vem sendo suprido por madeiras plantadas, principalmente o pinus e o eucalipto, além de espécies florestais nativas alternativas.
 

No caso de substituição de madeiras escassas por espécies novas e no processo de seleção da madeira mais adequada a cada tipo de uso, surge, freqüentemente, o problema da sua identificação e avaliação das características tecnológicas. Este é o passo inicial para que se possa estudar o potencial madeireiro e, paralelamente, conduzir pesquisas tecnológicas para um aproveitamento racional deste potencial.
 

A caracterização tecnológica das madeiras alternativas produz dados essenciais que incentivam a introdução destas espécies na indústria madeireira, oferecendo alternativas àquelas espécies cujas reservas estejam se exaurindo. Essa introdução irá possibilitar a colocação no mercado um volume adicional de matéria-prima a preço mais competitivo e reduzirá a exploração seletiva e o desperdício proveniente das diversas formas de desmatamento praticadas. A caracterização das propriedades tecnológicas de espécies alternativas como a madeira de melancieira (Alexa grandiflora) e de acapú (Vuoacapoua americana), viabiliza a substituição de outras de uso consagrado que, em alguns casos, já se encontram em fase de esgotamento, por esta espécie alternativa, podendo apresentar potencial tecnológico equivalente, além de maior disponibilidade e menor custo.
 

Materiais e Métodos 

A pesquisa foi desenvolvida na Universidade de Brasília (UnB) e no LPF/SFB. As espécies estudadas foram a melancieira (Alexa grandiflora Ducke) e o acapú (Vuoacapoua americana Aubl.), oriundas da floresta Amazônica. Em uma indústria madeireira do Distrito Federal, coletou-se três pranchas, ao acaso, de cada espécie. As pranchas obtidas possuíam as seguintes dimensões: 4,0cm de espessura x 10,0cm de largura x 250cm de comprimento. Este material foi identificado anatomicamente para certificação das espécies. 

Para os ensaios das propriedades físicas, mecânicas, trabalhabilidade e colorimetria, as amostras foram confeccionadas na marcenaria da UnB. Inicialmente foram retiradas as amostras de colorimetria de cada prancha e com o restante foram cortadas peças de dimensões 2 x 2cm (espessura e largura) para confeccionar os corpos de provas para os testes físicos e mecânicos. As sobras foram aproveitadas para os testes de trabalhabilidade, onde foi aplicado um questionário junto aos profissionais da madeira, para avaliar as dificuldades ou facilidades em se trabalhar com as espécies.
 

As propriedades físicas ensaiadas foram a densidade básica e as retratibilidades radial, tangencial e volumétrica. Foram confeccionadas 15 amostras com dimensões 2 x 2 x 10cm de cada prancha e para cada espécie. Os ensaios de densidade básica de retratibilidades seguiram, as recomendações das normas COPANT 461 e COPANT 30:1-005 , respectivamente. Para o ensaio mecânico de flexão estática utilizou-se 15 corpos de prova de 2cm x 2cm x 30cm. Estas amostras foram mantidas em sala de climatização para atingirem a umidade de 12%. Os corpos de prova foram ensaiados segundo as a norma COPANT 30:1:006 . Através do ensaio de flexão estática foram obtidos o módulo de elasticidade (MOE) e o módulo de ruptura (MOR). Este teste foi realizado em uma máquina universal de testes INSTRON, célula de carga 2000Kgf, com vão de 28cm e velocidade de 1,3mm/min.
 


Colorimetria: 

O ensaio de colorimetria foi realizado obedecendo a metodologia de acordo com o sistema CIE L*a*b* . Foram utilizados três corpos de provas (um de cada prancha) de cada espécie, com as dimensões 5,5 x 6,5 x 10cm, fazendo-se uma varredura, totalizando cinqüenta medidas: vinte e cinco na face tangencial e vinte e cinco na face radial, para cada amostra. Para determinação dos parâmetros colorimétricos foi utilizado um espectrofotômetro Datacolor Microflash 200d conectado a um microcomputador, com iluminante D65 e ângulo de 10°. Os parâmetros avaliados foram a claridade (L*) e as coordenadas vermelho (+a*), verde (-a*), amarelo (+b*) e azul (-b*). O valor da saturação da cor (C) e do ângulo de tinta (h*) foram calculados pelas seguintes equações:
 

A caracterização das cores das madeiras estudadas utilizando os parâmetros cromáticos foi designada por meio de uma tabela de cor. As comparações foram feitas em dois sentidos de cada amostra (tangencial e radial). Ainda foram feitas comparações da cor da madeira com outras espécies com dados retirados da literatura. Os valores obtidos das propriedades físicas e dos parâmetros colorimétricos foram avaliados a partir de cálculos estatísticos, análise de variância, e pelo teste Tukey.
 

Trabalhabilidade: 

Os testes de trabalhabilidade foram realizados junto à marcenaria da Universidade de Brasília. As amostras de madeira utilizadas eram provenientes de sobras dos corpos de prova feitos para os testes físicos e colorimetria. Estas amostras foram trabalhadas em vários equipamentos (serra circular, desengrosso, desempeno, tupia, furadeira de mesa e manual, lixa fita e manual, formão manual e plaina manual) e receberam material de acabamento (seladora e verniz). Foi elaborado um questionário no qual foi aplicado junto aos profissionais da indústria moveleira (marceneiro) para acompanhar o trabalho.

Resultados 

Os valores das propriedades físicas e mecânicas da madeira de acapú e da melancieira assim como as análises colorimétricas e de trabalhabilidade encontram-se descritos a seguir.
 

Valores médios das propriedades físicas e mecânicas da madeira de acapú e da melancieira comparada com outras espécies.
 

A madeira de acapú e de melancieira apresentam densidades básicas de 0,770 g/cm³ e 0,660 g/cm³, respectivamente. Segundo IBAMA as madeiras que apresentarem densidade básica superior a 0,630 g/cm³ e inferior a 0,720 g/cm³ são consideradas de peso médio. No caso da densidade ser superior a 0,720 g/cm³, a madeira é classificada como pesada. Ao se comparar as outras espécies da Tabela 2, verifica¬-se que a densidade da madeira de acapú é idêntica a da sucupira. Enquanto que a densidade básica da melancieira é superior às do tauari e do mogno. Na fabricação de objetos de uso interiores, como móveis, por exemplo, resultará em peças mais pesadas quando fabricados com madeira maciça de acapú. Talvez a fabricação de móveis, com painéis de madeiras, tendo essa madeira na forma maciça, fazendo parte como “detalhes”, poderá ser uma solução. Por outro lado a madeira de melancieira parece não trazer problemas quanto a este quesito, podendo ser usada normalmente como peças de móveis.
 

A classificação de madeiras pelo critério da retratibilidade volumétrica varia de fraca a forte. São consideradas madeiras de retratibilidade fraca as que possuem valores de 4 a 9% , entre 9 e 14% são consideradas médias e as que apresentam valores de 14 a 18% são madeiras que sofrem forte retratibilidade volumétrica. De acordo com essa informação a madeira de acapú apresenta forte retração volumétrica e a de melancieira média retratibilidade volumétrica. Cuidados especiais durante a secagem da espécie acapú (controle de temperaturas, umidade e ventilação) são recomendados para evitar possíveis defeitos.
 

Analisando o módulo de ruptura da madeira de acapu verifica-se um valor elevado, isso indica que é uma madeira que apresenta alta resistência a este tipo de solicitações. O valor do módulo de elasticidade também se apresenta alto, indicando que é uma madeira que sofre poucas deformações em resposta às forças externas. É uma madeira que apresenta uma alta rigidez, superior a sucupira. Esta característica potencializa a espécie para ser utilizada na construção civil. Esta propriedade também a credencia para utilizá-la em móveis ou peças mais robustas de interiores que exigem resistência à flexão como elemento de resistência.
 

Valores médios dos parâmetros colorimétricos das madeiras de acapu e de melancieira comprados com outras espécies.
 

A cor da madeira de acapu é caracterizada pela claridade Esta madeira é caracterizada como de coloração castanho amarronzado escuro. A madeira de melancieira é de cor amarela clara.
 

Fazendo-se uma comparação da cor das madeiras estudadas com outras espécies mais conhecidas, os valores dos parâmetros colorimétricos demonstram que a madeira de melancieira apresenta valores muito próximos ao da cerejeira, colocando esta espécie no grupo de madeiras claras. Já a madeira de acapú tem coloração mais próxima da madeira de ipê, colocando-a no grupo de madeiras escuras. Para as outras espécies, observa-se que os valores dos parâmetros são bem distintos, caracterizando as diferenças de coloração em relação às espécies estudadas.
 

Trabalhabilidade 

O comportamento das madeiras de acapú e de melancieira em relação a máquinas, ferramentas e produtos de acabamento tiveram como finalidade disponibilizar um maior número de informações tecnológicas, melhorando a usinagem.
 

A madeira do acapu apresentou excelente desempenho na serra circular. Para os demais equipamentos como dessengrossadeira, furadeira de mesa, furadeira manual, lixa fita, lixa manual, plaina manual e desempeno apresentou bom desempenho, não desgastando os equipamentos facilmente. Entretanto a madeira produz um pó inerte que com o passar do tempo provoca irritação nasal no operador. A madeira gasta um pouco mais de lixa do que algumas espécies como o Mogno (Swietenia macrophylla), porém quando comparado ao Ipê (Tabebuia sp.) a madeira de acapu se mostra mais econômica. Esta espécie apresenta bom comportamento perante a seladora, sendo necessária apenas duas demãos para a finalização do acabamento. A média geral obtida pela aplicação do questionário para esta madeira perante aos equipamentos e material de acabamento foi de 8,5 , isto é, tem um comportamento muito bom perante a equipamentos e material de acabamento.
 

Ao se fazer a análise dos resultados de usinagem da madeira de melancieira perante os equipamentos serra circular, desengrosso, tupia, furadeira de mesa, lixa fita e plaina manual, esta apresentou um comportamento bom, segundo os profissionais da área (marceneiros) com uma nota média de 8. Esta espécie apresenta um pouco felpuda ao passar por maquinário e mais áspera, gastando um pouco mais de lixa e material de acabamento (seladora) que espécie anterior.
 

A madeira de acapu caracterizou-se por apresentar densidade básica alta, retratibilidade volumétrica forte e baixo coeficiente de anisotropia. É uma madeira de fácil manuseio e agradável aparência. Apresenta bom desempenho aos equipamentos de marcenaria, dando bom acabamento final.
 

A madeira de acapu é de coloração escura, classificada como castanho amarronzado escuro. Apresenta valores médios altos de flexão estática, o que a potencializa a ser usada em mobiliário que exige maiores resistências mecânicas. A madeira de melancieira apresentou densidade básica e retratibilidade volumétrica média. O coeficiente de anistropia é moderado, parecendo não trazer problemas de defeitos no processo de secagem. Apesar de mostrar peças felpudas e ter um maior gasto de lixas e material de acabamento, esta madeira é de coloração agradável (amarela clara) ao mercado consumidor dando como resultado final, móveis de boa aceitação.
 

Assim, ambas as espécies são recomendadas para a indústria moveleira, tornando-se opções de uso de madeiras que estão sendo mal aproveitadas no comércio atual.

Certamente, os preços dessas madeiras também deverão ser mais convidativos em função da não valorização atual destas espécies.